Audiência Pública avalia possíveis avanços com gestão compartilhada em Noronha

Em 11/04/2023
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A assinatura de um acordo entre a União e o Estado de Pernambuco para o compartilhamento da gestão do Arquipélago de Fernando de Noronha motivou uma audiência realizada pela Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa, nesta terça. O documento foi assinado pelo presidente Lula e pela governadora Raquel Lyra, e homologado em 22 de março pelo Supremo Tribunal Federal, STF. A assinatura pôs fim a uma ação movida pelo Governo Federal no STF para reivindicar a federalização do arquipélago.

Para o procurador do Estado Roberto Pimentel, o acordo foi a melhor forma de resolver um longo histórico de embate. Ele avaliou que o documento sinaliza um futuro de mais controle e paz, partindo da premissa de que o território é de Pernambuco, mas precisa respeitar regras ambientais, que são, em sua maioria, federais. Não se criou regra nova, até porque não era possível. Ninguém legisla por acordo. Tanto é verdade que o ministro Lewandowski anulou aquele acordo de cessão que tinha sido feito pelo Estado para a União por falta de autorização legislativa. O que se fez foi pactuar regras de cumprimento, e, acreditem, houve muita intermediação do próprio Supremo para dizer: ou vocês chegam a um acordo, ou nós vamos arbitrar. Nós achamos e continuamos achando que o melhor caminho é o entendimento.

A secretária estadual de Meio Ambiente, Ana Luíza Gonçalves, descreveu o acordo como uma moldura, que permitirá discutir questões relevantes para o arquipélago.  A partição de competências seguirá o que já acontece na prática na ilha. “A gente já tinha a prática, por exemplo, do ICMBio fazer a gestão das áreas de proteção da vida silvestre. A gente já tinha a prática do ICMBio fazer a gestão do Parque Nacional Marinho, a gente já tinha a prática do CPRH está à frente do licenciamento ambiental da zona urbana. Então essas práticas, que geravam conflitos em alguns momentos e insegurança jurídica para todos os envolvidos, a partir desse acordo fica claro”.  

Um dos pontos de discordância entre Estado e União e que foi pactuado no acordo se refere à capacidade máxima da ilha. A secretária espera para dezembro deste ano a entrega de um estudo, encomendado ao Iterpe. Até lá, prevalece a regra que limita a quantidade de visitantes em 132 mil.

Hairton Almeida, presidente do Conselho de Turismo de Fernando de Noronha, reclamou da distribuição desses visitantes, 11 mil por mês. A gente vai ter período na ilha, por exemplo agora, que estamos no período da baixa estação, e ponham baixa nisso, mas tem pousada que está com menos de 30% de ocupação. Tem pousada que fechou. E aí a gente tem problema com o aeroporto, que vem desde a gestão passada. Deixaram as porteiras abertas, abriram, excederam os números para tudo em todos os ambientes: números de pousadas construídas, número de quartos, número de barcos que entraram na ilha, número de carros que entraram na ilha. Tudo foi superfaturado .

A falta de escuta prévia da população foi alvo de críticas. Para Ailton Flor, da Associação de Hospedarias Domiciliares, são os moradores que detêm o conhecimento sobre os problemas de Noronha. Ailton Júnior,  presidente do Conselho Distrital, entendeu  que ficaram de fora do processo tanto ilhéus quanto a Assembleia Legislativa. 

Gerente Regional do Nordeste do Instituto Chico Mendes, ICMBio, Rafael Camilo disse que serão realizadas reuniões em abril e maio para ouvir a população sobre a revisão do plano de manejo da APA Federal de Fernando de Noronha. O deputado Waldemar Borges, do PSB, um dos autores do pedido de audiência, lamentou que a reunião tenha sido a primeira oportunidade de reunir representantes da comunidade e do governo. Renato Antunes, do PL, sugeriu que seja realizada uma nova audiência pública, em Fernando de Noronha. O presidente da Comissão de Administração Pública, Joaquim Lira, do PV, espera colocar a proposta em votação na próxima reunião do Colegiado, quarta-feira da semana que vem.

Ilhéus presentes à audiência reclamaram da quantidade de empreendimentos autorizados na ilha e da falta de autonomia para escolher o administrador do arquipélago por votação direta. Também se queixaram da demora para finalizar a obra de recuperação da pista do aeroporto. A administradora-geral de Noronha, Thallyta Figuerôa,  respondeu aos questionamentos: “Peço uma coisa que eu sei que é muito pra quem eu tô pedindo: peço paciência. As coisas não vão mudar de uma hora para outra. Não há solução mágica para o estado em que encontramos Fernando de Noronha”.

Ela disse que vai apresentar ao Conselho Distrital um relatório com o diagnóstico sobre os problemas identificados pela gestão.